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Se hoje o Brasil é referência no tratamento e prevenção de doenças infecciosas e parasitárias, muito se deve ao médico Oswaldo Cruz. Ele foi um dos grandes nomes da saúde pública no Brasil. 

O sanitarista foi pioneiro no estudo das doenças tropicais e encabeçou diversas campanhas de combate às epidemias no começo do século XX. 

Muitas das estratégias que conhecemos hoje, como isolamento e medidas sanitárias para controle de infecções, foram implementadas por esse importante médico.  

Ele ficou conhecido por atuar na análise de diversas epidemias, propondo a criação de soros e vacinas. 

Seu grande feito foi acabar com a varíola, febre amarela e peste bubônica no Rio de Janeiro, doenças que dizimavam a população da época.

Em 2022, completam-se 150 do nascimento de Oswaldo Cruz. E, com a importância que o sanitarista tem na história brasileira, é bem possível que sua trajetória apareça em questões do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e dos vestibulares. 

Vamos conhecer um pouco mais sobre Oswaldo Cruz? Confira a seguir tudo vida e carreira do sanitarista!

Aqui você vai ver:
Quem foi o sanitarista Oswaldo Cruz
A Revolta da Vacina
A fundação da FioCruz
Questões do Enem sobre a Revolta da Vacina e Oswaldo Cruz 

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Quem foi o sanitarista Oswaldo Cruz 

Oswaldo Gonçalves Cruz foi um médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro. Ele foi pioneiro no estudo de diversas doenças tropicais, sendo responsável pelo combate e erradicação de muitas delas. 

Onde tudo começou

quem foi Oswaldo Cruz - imagem antiga de  Oswaldo Cruz

Oswaldo Cruz nasceu em 1872 na cidade paulista de São Luiz do Paraitinga. Filho de médico, Cruz decidiu seguir os passos do pai e, com apenas 15 anos, em 1877, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. 

Ele se formou em 1892, com a tese “A vehiculação microbiana pelas águas" — que já indicava seu interesse pelo campo da microbiologia. 

Seu interesse pela ciência era tanto que ele chegou a montar um pequeno laboratório no porão de casa depois de formado. Contudo, com a morte do pai, ele deixou de trabalhar nele depois de um tempo. 

O grande salto de sua carreira aconteceu apenas em 1897, quando se mudou para Paris para estudar microbiologia, soroterapia e imunologia.

Foi lá que ele conheceu novas técnicas de produção de soros e vacinas que mudaram completamente a forma de combater as epidemias no Brasil.  

Na linha de frente contra a peste bubônica, febre amarela e varíola

Dois anos depois de iniciar seus estudos em Paris, Oswaldo retornou ao Brasil. 

Ao chegar no país, ele assumiu a direção técnica do Instituto Soroterápico Federal (futura FioCruz), trabalhando na produção do soro e da vacina contra a peste bubônica

A doença assolava o Rio de Janeiro, mas estava longe de ser a única. 

Nessa época, a população de cerca de 700 mil pessoas vivia em cortiços, em uma cidade sem calçamento, com esgoto a céu aberto e poças de água parada cheias de insetos – o cenário ideal para que diversas moléstias se espalhassem. 

Além da peste bubônica, surtos de varíola e a febre amarela também eram comuns — só esta última matou quase mil pessoas em 1902. 

Frente a esse cenário, em 1903, o sanitarista foi nomeado Diretor Geral de Saúde Pública, recebendo a importante missão de combater essas epidemias. O desafio não era pequeno. 

Antes de pensar em vacinas e soros, o jovem médico teve que empreender uma campanha sanitária.

Para isso, adotou métodos como o isolamento dos doentes, a notificação compulsória dos casos positivos, a captura dos vetores – mosquitos e ratos –, e a desinfecção das moradias em áreas de focos. 

Essas ações, contudo, não foram vistas de maneira positiva por grande parte da população, incluindo até a comunidade médica.  

O problema é que muitos ainda acreditavam que as doenças eram transmitidas pelo contato direto com os doentes, considerando as medidas sanitárias de Cruz exageradas. E foi aqui que a situação começou a se complicar. 

>>> Leia também: O que mais cai em História no Enem

Revoltas populares

Em 1904, a oposição a Oswaldo Cruz atingiu seu ápice. 

Com o avanço dos surtos de varíola, o sanitarista tentou promover a vacinação em massa da população –  o que provocou uma violenta reação popular. Até os jornais lançaram uma campanha contra a medida. 

Mas, o pior veio no dia 13 de novembro, quando estourou uma rebelião popular que ficou conhecida como Revolta da Vacina

O Governo derrotou a rebelião, que durou uma semana, mas suspendeu a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. No próximo tópico, falaremos mais sobre esse episódio.   

Apesar de toda a hostilidade, as estratégias de Oswaldo Cruz se provaram certeiras. Em 1908, quando uma nova epidemia de varíola começou a se instaurar, a própria população procurou os postos de vacinação.

Além de reduzir as mortes por varíola, as medidas do sanitarista também se mostraram eficazes para prevenir infecções de febre amarela e peste bubônica. 

As mortes por febre amarela caíram de 469, em 1903, para 39, em 1904. Neste mesmo ano, após o extermínio de mais de 50 mil ratos, a peste também foi dada extinta no Rio de Janeiro. 

Prestígio nacional e internacional

A luta de Oswaldo Cruz contra as doenças ganhou reconhecimento internacional em 1907.  Ele recebeu a medalha de ouro no 14º Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim, na Alemanha, pelo trabalho de saneamento do Rio de Janeiro. 

Em seu retorno ao Brasil, em 1908, Oswaldo foi recebido como um herói nacional e, em 1909, o Instituto Soroterápico Federal passou a levar seu nome, passando a se chamar Instituto Oswaldo Cruz. 

Para poder se dedicar inteiramente ao seu trabalho no instituto, Oswaldo deixou a Diretoria Geral de Saúde Pública em 1909.

Além de seguir no trabalho de pesquisa e combate às doenças, Oswaldo Cruz ainda reformou o Código Sanitário e reestruturou todos os órgãos de saúde e higiene do país.

Assim, ele se consolidou uma das principais referências em termos de saúde pública do país. 

A Revolta da Vacina 

quem foi Oswaldo Cruz - retrato da Revolta da Vacina

Como vimos no tópico anterior, um dos episódios mais marcantes da trajetória de Oswaldo Cruz foi a campanha de combate à varíola. 

Essa doença afetava frequentemente o Rio de Janeiro e a única forma de combater sua propagação era através da vacinação da população. 

No Brasil, o uso de vacina contra a varíola foi declarado obrigatório para crianças em 1837 e para adultos em 1846. 

Mas, na prática, essa resolução não era cumprida, até porque a produção da vacina em escala industrial no Rio só começou em 1884. 

Foi Oswaldo Cruz que motivou o governo a enviar a restaurar a obrigatoriedade da vacinação em todo o território nacional em 1904. 

De acordo com seu projeto, apenas os indivíduos que comprovassem ser vacinados conseguiriam contratos de trabalho, matrículas em escolas, certidões de casamento, autorização para viagens etc.

Essa medida, porém, não foi vista com bons olhos pela população. 

O povo já vinha sendo oprimido pelas diversas medidas de reurbanização do presidente Rodrigues Alves. Esse processo sacrificou as camadas mais pobres da cidade, que foram desalojadas e tiveram seus casebres e cortiços demolidos. 

A população foi obrigada a mudar para longe do trabalho e para os morros, incrementando a construção das favelas.

Assim, a truculência da gestão sanitária, somada à falta de informações sobre a vacina, fez com que as pessoas se revoltassem com a obrigatoriedade da vacinação. 

Por isso, em 9 de novembro, quando a nova lei de vacinação foi aprovada, as coisas saíram do controle, dando início ao episódio conhecido como Revolta da Vacina. 

O povo, já tão oprimido, não aceitava ver sua casa invadida e ainda ter que tomar uma injeção contra a vontade: ele foi às ruas protestar. 

A revolta começou em 10 de novembro de 1904. Só no dia 23 a situação começou a ser normalizada. 

A insatisfação popular levou a ações de vandalismo e confrontos contra a polícia na rua. Dezenas de pessoas morreram, e a obrigatoriedade da vacina foi então suspensa.

Confira aqui um vídeo produzido pelo portal Toda Matéria para encontrar ainda mais informações sobre esse acontecimento. Vale a pena conferir!

>>> Leia também: 100 anos da Semana de Arte Moderna: como o tema pode cair no Enem 2022

A fundação da FioCruz 

Durante a pandemia da covid-19, algumas instituições de saúde brasileiras se destacaram nos estudos e medidas de combate ao vírus. Uma delas foi a FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz). 

E não é à toa que ela leva o nome de um dos principais sanitaristas do Brasil: ele foi um dos principais agentes de sua fundação. 

A história da Fundação Oswaldo Cruz começou em 25 de maio de 1900, com a criação do Instituto Soroterápico Federal, na bucólica Fazenda de Manguinhos, zona norte do Rio de Janeiro. 

Inaugurada originalmente para fabricar soros e vacinas contra a peste bubônica, a instituição experimentou uma intensa trajetória – que se confunde com o próprio desenvolvimento da saúde pública no país.

Sob o comando de Oswaldo Cruz, o instituto foi responsável pela reforma sanitária que erradicou e controlou diversas doenças que assolavam o Rio de Janeiro. 

E não demorou muito para ultrapassar os limites da cidade: o Instituto também foi peça chave para a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública, em 1920.

Atualmente, a fundação é reconhecida internacionalmente e tem um papel crucial para a saúde pública do Brasil. 

Durante a pandemia, a Fundação Oswaldo Cruz participou ativamente da campanha de combate ao vírus, produzindo planos de contingência, realizando estudos e análises e produzindo as primeiras doses dos imunizantes.

Além de ser responsável pela produção da vacina Astrazeneca, desenvolvida pela Universidade Oxford, a FioCruz também devolveu a primeira vacina 100% nacional

Em 2022, a Fundação Oswaldo Cruz disponibilizou para o Ministério da Saúde as primeiras doses da vacina Covid-19 (recombinante), produzidas com o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) nacional –  mais um importante passo no combate à pandemia. 

>>> Leia também: Bicentenário da Independência no Enem: como o assunto pode cair

quem foi Oswaldo Cruz - imagem da fachada da FioCruz

Questões do Enem sobre a Revolta da Vacina 

Agora que você já conhece tudo sobre o Oswaldo Cruz, que tal entender quais conhecimentos relacionados a essa figura são cobrados no Enem?

Nas últimas edições, a maioria das questões trata da Revolta da Vacina. Mas, para este ano, é bem possível que tenhamos questões mais específicas sobre a trajetória do sanitarista. 

Confira algumas questões dos anos anteriores:

1- (ENEM Digital 2020) Chamando o repórter de “cidadão”, em 1904, o preto acapoeirado justificava a revolta: era para “não andarem dizendo que o povo é carneiro. De vez em quando é bom a negrada mostrar que sabe morrer como homem!”. Para ele, a vacinação em si não era importante — embora não admitisse de modo algum deixar os homens da higiene meter o tal ferro em suas virilhas. O mais importante era “mostrar ao governo que ele não põe o pé no pescoço do povo”.

CARVALHO, J. M. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Cia. das Letras, 1987 (adaptado).

A referida Revolta, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro no início da República, caracterizou-se por ser uma

  1. Agitação incentivada pelos médicos.
  2. Atitude de resistência dos populares.
  3. Estratégia elaborada pelos operários.
  4. Tática de sobrevivência dos imigrantes.
  5. Ação de insurgência dos comerciantes.

Gabarito: B

2 - (ENEM 2019) A Revolta da Vacina (1904) mostrou claramente o aspecto defensivo, desorganizado, fragmentado da ação popular. Não se negava o Estado, não se reivindicava participação nas decisões políticas; defendiam-se valores e direitos considerados acima da intervenção do Estado.

CARVALHO, J.M. ( bestializados: o Rio de Janeiro e à República que não foi. São Paulo: Cia. das Letras, 1987 (adaptado).

A mobilização analisada representou um alerta, na medida em que a ação popular questionava

  1. A alta de preços.
  2. A política clientelista.
  3. As reformas urbanas.
  4. O arbítrio governamental.
  5. As práticas eleitorais.

Gabarito: D

3 - (ENEM 2011) 

quem foi Oswaldo Cruz - imagem Enem

A imagem representa as manifestações nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, na primeira década do século XX, que integraram a Revolta da Vacina. Considerando o contexto político-social da época, essa revolta revela

  1. A insatisfação da população com os benefícios de uma modernização urbana autoritária.
  2. A consciência da população pobre sobre a necessidade de vacinação para a erradicação das epidemias.
  3. A garantia do processo democrático instaurado com a República, através da defesa da liberdade de expressão da população.
  4. O planejamento do governo republicano na área de saúde, que abrangia a população em geral.
  5. O apoio ao governo republicano pela atitude de vacinar toda a população em vez de privilegiar a elite.
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