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Será que você sabe o que é crônica mesmo ou confunde o gênero com outros tipos de texto?

Neste artigo, você vai tirar a prova.

Acompanhe até o final e descubra tudo sobre o assunto!

O que é crônica?

A crônica é um gênero textual muito presente em jornais, revistas, portais de internet e blogs.

Esse tipo de texto se destaca por abordar aspectos do cotidiano.

Ou seja, questões comuns do nosso dia a dia.

Quais as características da crônica?

A crônica se situa entre o jornalismo e a literatura.

Além da narração de situações banais, ela é caracterizada por:

  • - Textos curtos e de fácil compreensão
  • - Linguagem simples e descontraída
  • - Poucos (ou nenhum) personagens nas histórias
  • - Análise crítica sobre contextos e circunstâncias 
  • - Humor crítico, irônico e sarcástico
  • - Linha cronológica estabelecida.

Para que serve uma crônica?

Embora as crônicas retratem acontecimentos do dia a dia, elas não têm a finalidade exclusiva de informar.

O objetivo da narrativa é, na verdade, provocar uma reflexão sobre o assunto abordado.

Os cronistas costumam identificar aspectos que, muitas vezes, passam despercebidos pelo restante da sociedade, mas que merecem observação e análise. 

Quais são os tipos de crônicas?

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A crônica é um gênero textual que pode ser dividido em diferentes tipos.

Conheça as características de cada um deles:

Crônica descritiva

A crônica descritiva é tipificada pela descrição dos elementos na narrativa.

Ou seja, é um texto que expõe os detalhes de objetos, lugares, personagens e demais partes.

Crônica narrativa

Esse tipo de crônica é marcado pela narração em primeira ou terceira pessoa do singular.

Ele costuma conter humor, ação e crítica.

Crônica dissertativa

A crônica dissertativa pode ser escrita em primeira ou terceira pessoa do plural.

Ela traz à tona o ponto de vista do autor sobre o assunto em foco.

Crônica humorística

Humor, ironia e sarcasmo são os componentes da crônica humorística.

Diferentes abordagens e estratégias podem ser adotadas nesse tipo de texto para tratar dos temas que impactam a sociedade de forma cômica.

Crônica lírica

No gênero lírico, a expressão de emoções é predominante. 

A crônica lírica, portanto, evidencia o sentimentalismo.

Crônica poética

A crônica poética utiliza versos poéticos em sua composição.

Dessa forma, além de traços de poesia, também contém sentimentos e emoções.

Crônica narrativo-descritiva

Esse tipo de crônica combina a narrativa e a descritiva.

Crônica jornalística

A crônica jornalística tem um viés do texto jornalístico no que diz respeito à veiculação de notícias e fatos.

Dessa forma, busca abordar acontecimentos atuais, do mesmo dia ou semana, por exemplo.

Crônica histórica

Ao contrário da crônica jornalística, que destaca eventos recentes, a crônica histórica relembra episódios passados.

Crônica-ensaio

Diferente das demais crônicas, esta é difícil de prever pelo nome.

A crônica-ensaio tece críticas ao que acontece nas relações sociais e de poder.

Crônica filosófica

Por fim, a crônica filosófica que carrega uma reflexão sobre determinado assunto.

Como fazer uma crônica?

Para fazer uma crônica, você deve, primeiramente, definir o tipo que será usado.

Isso porque o texto deve acompanhar as características do formato.

Mas, no geral, as crônicas seguem um roteiro básico, que contém:

  • - Introdução rápida
  • - Descrição do fato/tema abordado
  • - A grande sacada do cronista.

Você precisa, portanto, seguir essa estrutura usando o tema da sua escolha.

Dicas de como fazer uma boa crônica

Algumas dicas podem ser muito úteis para ajudar a construir uma boa crônica.

Anote aí:

  • -Procure escolher temas contemporâneos, a não ser que sua crônica - seja histórica
  • - Pesquise sobre o assunto antes de escrever para formar a sua opinião
  • - Expresse e defenda o seu ponto de vista
  • - Evite incluir personagens na narrativa
  • - Mantenha o pé no chão e não fantasie demais. A crônica não é um conto!
  • - Respeite o tamanho da crônica
  • - Seja claro e objetivo
  • - Tenha atenção com a gramática
  • - Revise a sua crônica.

Exemplos de crônicas

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Confira três crônicas de grandes cronistas brasileiros:

Furto de Flor, de Carlos Drummond de Andrade

Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor.

Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.

Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la no jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me.

O Vestido Branco, de Clarice Lispector

Acordei de madrugada desejando ter um vestido branco. E seria de gaze. Era um desejo intenso e lúcido. Acho que era a minha inocência que nunca parou. Alguns, bem sei, já até me disseram, me acham perigosa. Mas também sou inocente. 

A vontade de me vestir de branco foi o que sempre me salvou. Sei, e talvez só eu e alguns saibam, que se tenho perigo tenho também uma pureza. E ela só é perigosa para quem tem perigo dentro de si. 

A pureza de quem falo é límpida: até as coisas ruins a gente aceita. E têm um gosto de vestido branco de gaze. Talvez eu nunca venha a tê-lo, mas é como se tivesse, de tal modo se aprende a viver com o que tanto falta. 

Também quero um vestido preto porque me deixa mais clara e faz a minha pureza sobressair. É mesmo pureza? O que é primitivo é pureza. O que é espontâneo é pureza. O que é ruim é pureza? Não sei, sei que às vezes a raiz do que é ruim é uma pureza que não pôde ser.

Acordei de madrugada com tanta intensidade por um vestido branco de gaze, que abri meu guarda-roupa. Tinha um branco, de pano grosso e decote arredondado. Grossura é pureza? Uma coisa sei: amor, por mais violento, é.

O Gavião, de Rubem Braga

Gente olhando para o céu: não é mais disco voador. Disco voador perdeu o cartaz com tanto satélite beirando o sol e a lua. Olhamos todos para o céu em busca de algo mais sensacional e comovente – o gavião malvado, que mata pombas.

O centro da cidade do Rio de Janeiro retorna assim à contemplação de um drama bem antigo, e há o partido das pombas e o partido do gavião. Os pombistas ou pombeiros (qualquer palavra é melhor que “columbófilo”) querem matar o gavião. Os amigos deste dizem que ele não é malvado tal; na verdade come a sua pombinha com a mesma inocência com que a pomba come seu grão de milho.

Não tomarei partido; admiro a túrgida inocência das pombas e também o lance magnífico em que o gavião se despenca sobre uma delas. Comer pombas é, como diria Saint-Exupéry, “a verdade do gavião”, mas matar um gavião no ar com um belo tiro pode também ser a verdade do caçador.

Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente o gavião; ao homem, se não houver outro bicho que o mate, pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em outro homem.

Principais cronistas do Brasil

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Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e Rubem Braga, autores dos textos acima, figuram na lista dos principais cronistas do Brasil.

Veja também outros nomes e conheça o estilo literário de cada um deles!

Machado de Assis

Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 - Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) escreveu diversos gêneros literários.

Nas crônicas, onde obteve grande destaque, iniciou contando sobre as sessões parlamentares.

Depois, passou a falar sobre o cotidiano da cidade do Rio de Janeiro.

O escritor publicou mais de 600 crônicas.

Clarice Lispector

Clarice Lispector, nascida Chaya Pinkhasovna Lispector (Chechelnyk, Ucrânia, 10 de dezembro de 1920 - Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977), possuía um estilo intimista.

Ela introduziu características novas à literatura nacional e marcou o Modernismo.

Suas crônicas eram conhecidas por descrições psicológicas e epifanias.

Cecília Meireles

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 – Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) é outro grande nome do Modernismo.

Ela ficou bastante conhecida por suas poesias simbolistas, e trouxe o mesmo tom dos poemas para as crônicas.

A morte, o amor, o eterno e o efêmero foram os temas mais retratados.

Nelson Rodrigues

Nelson Falcão Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 - Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) é o autor de “A Vida como Ela é”, uma série de contos que foi transmitida em televisão.

O cronista abordava a realidade sem rodeios, apostando, inclusive, no erotismo.

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 - Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um dos maiores escritores brasileiros.

Pode-se dizer que o estilo do cronista era libertino e sarcástico. 

Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes, nascido Marcus Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 - Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) fazia crônicas para sobreviver.

Seus textos traziam leveza, senso de humor e lirismo.

Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto, mais conhecido como Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1881 - 1 de novembro de 1922), foi um crítico cronista da República Velha no Brasil.

Além do estilo bastante coloquial, suas crônicas eram populares por retratar, principalmente, o tema da exclusão social.

João do Rio

João do Rio, pseudônimo de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto (Rio de Janeiro, 5 de agosto de 1881 - 23 de junho de 1921), ajudou a fundar a crônica moderna.

Seus textos abordavam a paisagem urbana carioca com representações dos diferentes grupos sociais do Rio de Janeiro.

Paulo Mendes de Campos

Paulo Mendes Campos (Belo Horizonte, 28 de fevereiro de 1922 - Rio de Janeiro, 1 de julho de 1991) foi um dos grandes cronistas da sua geração.

Ao trazer poesia para os temas cotidianos, ele atribuiu delicadeza e atemporalidade ao gênero.

Rubem Braga

Rubem Braga (Cachoeiro de Itapemirim, 12 de janeiro de 1913 - Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 1990) dedicou-se exclusivamente às crônicas.

Seu estilo marcado por ironia, lirismo e humor contribui para que ele se tornasse um dos maiores cronistas brasileiros.

Conclusão

E, então, tirou a prova?

Você sabia o que é crônica ou, de fato, confundia o gênero com outros textos?

Bem, o que importa é que agora não restam mais dúvidas, não é verdade?

Neste artigo, além de conhecer as características da crônica e de todos os tipos, você também aprendeu como escrever, viu exemplos e ainda foi apresentado a grandes cronistas brasileiros.

Se você vai fazer o Enem ou prestar vestibular, o gênero pode ser cobrado nos exames.

Mas, com isso, você não tem mais com o que se preocupar, não é verdade?

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