A presença feminina nas ciências exatas é algo que remonta desde a antiguidade. Porém, ainda hoje as mulheres na ciência enfrentam desafios e preconceitos. 

Neste artigo, vamos explorar a presença feminina na ciência desde a antiguidade, o cenário atual da pesquisa científica no Brasil e quais são os maiores desafios enfrentados pelas mulheres na ciência.

Além disso, também trouxemos uma lista com 4 pesquisadoras e pioneiras das ciências brasileiras para inspirar você a se tornar uma cientista.

Você vai conferir: 

A participação de mulheres na ciência é antiga 
Como é a representação feminina na ciência brasileira? 
Por que o número de mulheres na ciência é pequeno? 
Áreas das ciências em que as mulheres são maioria 
4 grandes cientistas brasileiras com trajetórias inspiradoras 
Conclusão 

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A participação de mulheres na ciência é antiga 

Durante muito tempo, a presença feminina foi rechaçada em ambientes que pregam a racionalidade e praticam as ciências exatas.

Tudo isso motivado pela crença de que o gênero feminino é mais delicado e pertence à ambientes de assuntos domésticos. 

Isso, entretanto, não impediu que muitas mulheres lutassem contra essas crenças e garantissem seus lugares dentro das ciências, da tecnologia e da engenharia. 

Não são poucas as histórias de pioneiras que venceram os preconceitos de seus tempos para se tornarem parte essencial em descobertas que ainda hoje mudam o mundo. 

Segundo Nadia Kovaleski, Cíntia Tortato e Marília de Carvalho, autoras do artigo As relações de gênero na história das ciências: a participação feminina no progresso científico e tecnológico, existem relatos da presença feminina na pesquisa científica desde o Antigo Egito. 

Elas citam Hatexepsute no Egito, uma faraó médica que organizava expedições para buscar plantas curativas e Theano na Grécia, aluna de Pitágoras que mais tarde se tornou sua esposa e escritora de livros sobre matemática e física. 

A mais famosa das pesquisadoras da antiguidade é Hipátia de Alexandria, que estudava astronomia e matemática e ficou conhecia por inventar o densímetro, instrumento que permite medir a densidade de líquidos. 

Desde os tempos mais remotos, diversas outras pesquisadoras e inventoras da área de exatas surgiram e se destacaram. Entre elas, podemos citar: 

  • Marie Winkelmann Kirch, primeira mulher a descobrir um cometa; 
  • Émilie du Chatelet, tradutora das obras de Newton e teórica de física; 
  • Elizabeth Fulhame, primeira pesquisadora profissional de química; 
  • Marie Curie, ganhadora de dois prêmios Nobel, em química e física, considerada a mãe da física moderna por seu trabalho com a radioatividade; 
  • Hedy Lamarr, uma das criadoras da tecnologia que hoje é utilizada em redes móveis, Wi-Fi e dispositivos bluetooth; 
  • Florence Rena Sabin, primeira mulher a ganhar uma cadeira na Academia Nacional de Ciências dos EUA por seu trabalho com o sistema linfático e imunológico; 
  • Chung-Pei Ma, liderou a equipe de cientistas que descobriu dois dos maiores buracos negros já observados; 
  • Gertrude Belle Elion, vencedora do Nobel em 1988 por criar medicamentos para amenizar sintomas de leucemia, herpes e HIV/AIDS; 
  • Juana Miguela Petrocchi, especialista em entomologia que descreveu 11 espécies de mosquitos; 
  • Chien-Shiung Wu, física chinesa que se tornou a primeira presidente mulher da American Physical Society nos EUA; 

E a lista não termina com estes nomes, já que a participação das mulheres na ciência é extensa e cheia de importância.

Se você quiser conferir uma lista completa, sugerimos esta cronologia na Wikipédia.

mulheres na ciência - mulher trabalhando no laboratório

Como é a representação feminina na ciência brasileira? 

De acordo com o CNPq, as mulheres constituem 43,7% dos pesquisadores científicos no Brasil. A nível mundial, esse valor desce para 30%, segundo a ONU. 

No CNPq, a curva é otimista e aponta que o número de mulheres pesquisadoras vai superar o de pesquisadores do gênero masculino dentro de uma década.

Porém, o mesmo não acontece em cargos de liderança dentro da pesquisa científica. 

Menos de 10% dos membros da Academia Brasileira de Ciências é mulher e apenas 21% dos coordenadores de projetos temáticos da FAPESP pertence ao gênero feminino, para dar alguns exemplos. 

Isso acontece por diversos fatores, como vamos explorar abaixo, mas o principal é a discriminação contra pesquisadoras. 

Segundo um relatório da Elsevier intitulado “A jornada do pesquisador através de lentes de gênero” divulgado em 2020, um estudo que envolveu 15 países, incluindo o Brasil, embora a participação feminina nas ciências exatas esteja aumentando, a desigualdade permanece quando o assunto são publicações, citações, bolsas concedidas e colaborações. 

Especificamente falando sobre as citações, trabalhos publicados por mulheres são citados com muito menos frequência do que os trabalhos publicados por homens. 

Por que o número de mulheres na ciência é pequeno? 

Como vimos acima, embora esteja em crescimento, o número de mulheres na ciência ainda não é considerável.

Além disso, pesquisadoras e cientistas da área de exatas enfrentam muito mais desafios do que seus colegas do gênero masculino. 

Um estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira descobriu que quase 59% dos estudantes universitários do país são mulheres. 

Porém, quando o recorte da pesquisa foca em cursos de exatas, o número de mulheres matriculadas cai para 41%.

Quando falamos das engenharias, esse número cai bastante, ficando em 29% de alunas (sendo que na engenharia mecânica, por exemplo, o número cai ainda mais: para 10% de mulheres). 

Por que isso acontece?

O primeiro palpite de pesquisadoras da área é que esta é uma questão de aprendizado social, uma falsa noção perpetuada de que as ciências exatas não são coisa de menina.

Um exemplo simples desses estímulos seriam os brinquedos dados à meninos e meninas, que enalteceriam diferentes habilidades.  

Por exemplo, aos meninos são dados brinquedos que estimulam a construção (blocos de montar e caixas de ferramentas) e atividades ao ar livre (como bolas e carrinhos, por exemplo). 

Já para as meninas, o brinquedo que as acompanha desde a primeira infância são as bonecas e o brincar de casinha, que estimulam o cuidado com terceiros, o uso da imaginação e da linguagem. 

Esses seriam, então, aprendizados que as meninas trariam desde a infância e que culminariam em elas optarem por cursos de humanas ou biológicas quando chegassem ao vestibular.

mulheres na ciência - porque o número de mulheres na ciência é pequeno?

A maternidade como obstáculo para a pesquisa 

Além da influência que os valores sociais podem ter sobre a escolha da profissão por uma vestibulanda, ainda existem outros fatores que a acompanham na vida adulta que podem dificultar ou até impedir sua atuação como pesquisadora. 

Nesse sentido, falamos sobre a maternidade e o peso que a criação de filhos tem sobre a mulher socialmente. 

Embora o número de mulheres bolsistas de pesquisa seja expressivo em período de graduação e pós-graduação, esse número diminui conforme a faixa etária vai aumentando. 

Dentre as bolsas de produtividade oferecidas pelo CNPq, por exemplo, apenas 19% foram concedidas para mulheres entre 30 e 34 anos e 25% para mulheres entre 35 e 39 anos.

A porcentagem volta a aumentar conforme a faixa etária da mulher aumenta também, atingindo o maior número na faixa etária de 45 a 54 anos. 

A pequena porcentagem de bolsas concedidas para mulheres entre 30 e 39 anos coincide com o período da maternidade.

Entre 2000 e 2019, a parcela de mulheres que se tornam mães nesta faixa etária no Brasil subiu de 26% para 39%. 

Ou seja, conforme uma mulher se aproxima da maternidade, menos chances como pesquisadora ela terá. E devido a essa realidade, diversos movimentos sociais têm buscado uma solução para vencer esse obstáculo. 

Uma conquista recente e que pode facilitar a vida das pesquisadoras que optam por serem mães é a presença da licença-maternidade no Currículo Lattes. 

Sem o documento, o pesquisador praticamente não existe, e uma das formas de avaliação para bolsas de pesquisa é a produção científica, medida principalmente pela publicação de artigos e participação em eventos. 

Se um pesquisador passa muito tempo sem publicar artigos ou participar de eventos, ele pode ser considerado como alguém que não produz ciência.

Logo, uma mulher que precisou pausar sua carreira acadêmica para cuidar de um bebê perde muitas chances de conseguir bolsas, mesmo depois que o filho cresce e ela pode voltar à pesquisa. 

Intitulada como “Licenças”, a nova seção do Currículo Lattes é uma demanda de mulheres pesquisadoras, mas principalmente uma pressão de organizações que buscam equidade, como o Movimento Parent in Science. 

É importante destacar que embora a pressão tenha vindo principalmente das pesquisadoras, a medida também beneficia a licença-paternidade. 

Áreas das ciências em que as mulheres são maioria 

relatório da Elsevier apresenta as desigualdades entre homens e mulheres na pesquisa, mas também trazem uma relação das áreas onde as mulheres são maioria.

Elas são as seguintes:

  • Bioquímica, com 52,7% de mulheres; 
  • Odontologia, com 52,4% de mulheres; 
  • Imunologia e Microbiologia, com 57,7% de mulheres; 
  • Medicina, com 52,7% de mulheres; 
  • Neurociência, com 54,3% de mulheres; 
  • Enfermagem, com 73% de mulheres; 
  • Farmacologia, com 57,6% de mulheres; 

Ainda segundo o relatório, as áreas de medicina e bioquímica se tornaram de maioria feminina a partir de 2009. 

Entre as áreas com maiores citações à trabalhos escritos por mulheres estão a enfermagem e psicologia, enquanto a área com menor presença feminina são as ciências físicas. 

4 grandes cientistas brasileiras com trajetórias inspiradoras 

E para selar o cenário das mulheres na ciência no Brasil, nada melhor do que buscarmos aquelas que são pioneiras ou que conquistaram grandes feitos nos últimos anos. 

A lista que reunimos abaixo contém mulheres de diversas áreas, desde as ciências biológicas até a física, que contribuíram como ninguém para o avanço científico do Brasil e do mundo. 

Nise da Silveira 

Nise da Silveira foi uma médica que mudou completamente a maneira como doenças psiquiátricas são vistas.

Nascida em 1905, ela se formou em medicina em 1931 na Bahia, sendo a única mulher entre outros 157 estudantes do sexo masculino. 

Contrata em 1944 para trabalhar no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, Nise se opôs às práticas usadas para tratar os internos: técnicas como eletrochoque, camisas de força e isolamentos eram comuns. 

Devido à sua oposição, ela foi transferida para a ala de terapia ocupacional do centro psiquiátrico como forma de punição, já que esta era uma área com poucos recursos e prestígio, porém é lá que Nise começa sua revolução. 

Em vez de terapias baseadas em surras e limpeza pesada do local, Nise propôs a pintura.

Ela trocou os castigos pela expressão através da arte e isso trouxe resultados surpreendentes. Os pacientes não apenas apresentaram melhora, mas também produziram obras de arte. 

Nise também foi pioneira em entender os benefícios de terapias com animais, permitindo que seus pacientes cuidassem dos cachorros que viviam no pátio do centro psiquiátrico. 

Nise da Silveira não só foi uma pioneira, mas uma mulher que buscou a humanização em tudo o que propôs a fazer.

Ela foi uma mulher forte e inteligente, que marcou para sempre a psiquiatria e é um exemplo para as mulheres na ciência.

nise da silveira mulheres na ciência

Sônia Guimarães 

Aos 64 anos, a paulista Sônia Guimarães é uma mulher pioneira na ciência brasileira por conta de suas conquistas no universo da física. 

Mulher negra, ela concluiu a faculdade de física em 1979 e em 1989 se tornou a primeira mulher negra brasileira a se tornar doutora pela University of Manchester Institute of Science and Technology, na Inglaterra. 

Ela entrou para o quadro de professores do ITA, Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em 1993, uma época em que era uma das poucas mulheres no campus.

Isso porque o instituto só passou a aceitar o ingresso de alunas em 1996. 

Por conhecer os desafios que uma mulher negra enfrenta no ambiente acadêmico, Sônia é uma voz poderosa na busca pelo fim das desigualdades raciais e de gênero nas ciências.

Ela participa de projetos que visam incentivar as meninas a se interessarem pelas exatas e também ao empreendedorismo. 

Além disso, Sônia também é mantenedora da Universidade Zumbi dos Palmares e conselheira do Conselho Municipal Para a Promoção de Igualdade Racial (COMPIR), da prefeitura de São José dos Campos.

sonia guimaraes

Graziela Maciel Barroso 

Nascida em 1912, Graziela Maciel Barroso é um nome essencial para a botânica, sendo conhecida como a principal taxonomista de plantas do país. 

Graziela foi educada para ser dona de casa, casando-se aos 16 anos com o agrônomo Liberato Joaquim Barroso.

Devido ao trabalho do marido, ela conheceu diversas regiões do Brasil e aos poucos começou a se interessar pelo campo. 

Aos 30 anos, ela começou a estudar botânica em casa com o marido e em 1946 se tornou a primeira mulher a fazer concurso para naturalista no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Graziela trabalhava com sistemática de plantas e, embora não tivesse curso superior, treinava estagiários, mestrandos e doutorandos. 

Foi apenas aos 47 anos que Graziela ingressou no curso superior de biologia da Universidade do Estado da Guanabara, e aos 60 defendeu sua tese de doutorado na Universidade Estadual de Campinas. 

Durante sua atuação profissional, ela foi responsável por identificar 25 espécies de vegetais, batizados com seu nome, como Dorstenia grazielae (caiapiá-da-graziela) e Baubinia grazielae (pata-de-vaca). 

Graziela teve suas conquistas reconhecidas em vida, recebendo a medalha Millenium Botany Award e sendo convidada para fazer parte da Academia Brasileira de Ciências.

Infelizmente, a cientista faleceu em 2003, um mês antes de poder assumir seu lugar na ABC.

Graziela Maciel Barroso 

Jaqueline Góes de Jesus 

O mundo vem enfrentando a pandemia de Coronavírus desde o final de 2019 e a doutora em Patologia Humana e Experimental, Jaqueline Góes de Jesus, tem parte importante na luta contra o vírus. 

Líder da equipe que conseguiu mapear o genoma do vírus SARS-CoV-2 em 48 horas (um tempo recorde, já que a média para esse tipo de procedimento é 15 dias), ela e sua equipe foram responsáveis pelo sequenciamento que permitiu diferenciar o vírus que infectou o primeiro paciente brasileiro do genoma identificado na China. 

Jaqueline é biomédica pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, concluiu seu doutorado na Universidade Federal da Bahia e hoje atua como pesquisadora no Instituto de Medicina Tropical de São Paulo da Universidade de São Paulo (IMT/USP).  

Antes de participar da pesquisa do Coronavírus, Jaqueline também já tinha integrado a equipe que mapeou o genoma do Zika Vírus. 

Ela foi convidada pela ONU para fazer parte do projeto #TimeHalo, uma iniciativa que busca tirar as dúvidas de internautas e desmistificar informações incorretas na plataforma de vídeos curtos, TikTok.

Jaqueline Goes de Jesus 

Conclusão 

Chegando ao final deste conteúdo, esperamos que tenha sido uma experiência esclarecedora e enriquecedora para você. 

Como podemos ver, existem muitas possibilidades para as mulheres na ciência e, apesar dos desafios, é um cenário com visíveis melhoras. 

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