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Você passou uma semana lendo apostilas, desenhando mapas mentais e fazendo simulados.

Os principais conceitos e fórmulas estavam na ponta da língua, tanto que seus colegas pediam socorro para você quando ficavam com alguma dúvida daquela disciplina.

Mas alguns dias se passaram, outras aulas vieram e... Cadê todo aquele conteúdo que estava na sua cabeça?

Esse fenômeno é bastante comum e atinge até os estudantes mais dedicados no preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Entendê-lo é a melhor fórmula para driblá-lo e, assim, conquistar uma boa pontuação nas provas.

Ele se chama curva do esquecimento, algo que intriga educadores e psicólogos desde o século 19. Você vai entender o que ela representa logo mais.

Confira:

O que é a curva do esquecimento
A Teoria de Ebbinghaus
Como a curva do esquecimento impacta sua aprendizagem
O Sistema de Repetição Espaçada para lidar com a curva do esquecimento
Conclusão

Use sua nota do ENEM para ganhar uma bolsa de estudos!

O que é a curva do esquecimento

A curva do esquecimento é uma representação gráfica da relação entre a retenção de informações adquiridas e o tempo em que elas permanecem na memória de um indivíduo.

A linha do gráfico mostra o declínio da retenção da memória com o passar do tempo, que se inicia logo nos primeiros momentos após a aprendizagem. A memorização de um conteúdo recém-adquirido pode ser reduzida à metade em poucos dias ou semanas, a não ser que o revisemos periodicamente e de forma consciente.

A curva do esquecimento descreve um processo pelo qual toda pessoa passa, independentemente da sua capacidade de memorização. Ou seja, você esquecer parte do que o professor disse na aula da semana passada é normal.

Curva do esquecimento hipotética, não desenhada em escala.Curva do esquecimento hipotética, não desenhada em escala.

A Teoria de Ebbinghaus

O pioneiro nos estudos dos processos de memória e na descrição da curva do esquecimento é Hermann Ebbinghaus (1850-1909).

O filósofo alemão fez experimentos com a própria capacidade de memorização entre 1880 e 1885, a partir de sílabas sem sentido, que seguiam a lógica “consoante-vogal-consoante". Ele também criou uma equação para a curva do esquecimento, em que:

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  • b = quantidade relativa de tempo economizada em tentativas de aprendizagem de um conteúdo já conhecido. Expressa em porcentagem.
  • t = tempo em minutos.

A partir da fórmula, Ebbinghaus testou intervalos de retenção que variavam de poucos minutos a 50 anos. Ele chegou aos seguintes números:

  • 75% de um conteúdo visto no período da manhã será lembrado ao final da tarde;
  • 50% do conteúdo será lembrado um dia depois;
  • 3% a 5% do conteúdo será lembrado depois de 30 dias.

Suas conclusões foram publicadas em “Über das Gedächtnis”, em 1885, que ganharia uma tradução para o inglês em 1913, com o nome "Memory: a contribution to experimental psychology".

Além de propor a representação gráfica, Ebbinghaus listou alguns fatores que contribuem para a velocidade do esquecimento, como a importância de determinado conteúdo para o indivíduo, o estresse e o sono.

ATENÇÃO: as porcentagens da teoria de Ebbinghaus não são universais e já foram superadas por pesquisas recentes. Ao longo do século 20, cientistas testaram as hipóteses do filósofo alemão com grupos de voluntários e intervalos de tempo maiores, chegando à conclusão de que a curva do esquecimento varia de acordo com o indivíduo e os tipos de informação.

No entanto, as contribuições de Ebbinghaus para a Psicologia e a Neurociência são inegáveis, por serem a base para outras teorias e estudos sobre a memória humana.

O filósofo alemão Hermann Ebbinghaus. Domínio público/Wikimedia Commons.O filósofo alemão Hermann Ebbinghaus. Domínio público/Wikimedia Commons.

Como a curva do esquecimento impacta sua aprendizagem

Os fenômenos representados pela curva do esquecimento não indicam uma falha na sua aprendizagem.

Esquecer é um processo natural do nosso cérebro, como indicam as últimas pesquisas da neurociência. O esquecimento é uma maneira de economizarmos a energia das sinapses e otimizarmos a ocupação das áreas do córtex cerebral.

Imagine: somos bombardeados de informações e estímulos sensoriais a todo momento, a maioria irrelevantes. Se guardássemos tudo isso, nossos cérebros não seriam capazes de realizar outras atividades cognitivas, por estar focado na gravação das informações.

Não conseguiríamos interpretar um texto, analisar um filme, resolver um problema de matemática... Esquecer é uma questão de sobrevivência para o ser humano.

“Então não há nada que eu possa fazer?” Você deve estar se perguntando.

Tem, sim!

Planejando uma rotina de revisões.

O Sistema de Repetição Espaçada para lidar com a curva do esquecimento

Ebbinghaus não só mudou a forma como entendemos a nossa capacidade de memorização, mas também inspirou um método de estudo indicado até hoje por professores aos estudantes que estão se preparando para o Enem.

É o Sistema de Repetição Espaçada (SRE), ou Spaced Repetition System (SRS), em inglês. A eficácia da técnica já foi comprovada pela neurociência.

Baseado na curva do esquecimento, o método propõe que existe um momento ideal para revisar o que aprendemos. Ele é dividido em 5 etapas de revisão:

1ª revisão: imediata

Assim que terminar a aula, dedique de 5 a 10 minutos para revisar os pontos mais importantes do conteúdo.

2ª revisão: 24 horas após a aula

É nas primeiras 24 horas que acontece a maior perda de retenção do conteúdo. Você deve fazer revisões de 10 minutos para cada hora/aula. Assim a informação ficará retida na memória e será mais facilmente evocada.

3ª revisão: 7 dias após a aula

Depois de uma semana, faça uma revisão de 10 minutos para cada hora/aula. É uma forma de reativar o conteúdo e fortalecer sua memorização.

4ª revisão: 30 dias após a aula

Passado um mês, o tempo de revisão é mais curto, sendo reduzido para 5 minutos por hora/aula.

5º revisão: de 30 em 30 dias

A revisão do conteúdo deve ser contínua. Por isso, a cada 30 dias, reserve 5 minutos do seu cronograma de estudos para rever o conteúdo.

Recomendamos que você combine a técnica com as orientações de estudo que já demos aqui no Blog do EAD PUCPR:

>>> Aprenda a se organizar com um cronograma de estudos

>>> Aplicativos para estudar: melhores opções para se organizar

>>> Como estudar em casa sem perder a concentração

>>> Entenda como funciona sua aprendizagem com o Ciclo de Kolb

>>> O que fazer para controlar a ansiedade?

Também existem materiais de apoio para o Sistema de Repetição Espaçada (SRE) para incluir na sua rotina de revisões:

  • Resumos
  • Mapas mentais
  • Flashcards
  • Resoluções de questões

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Conclusão

Além de conhecer diferentes métodos de estudo, é essencial entender como funciona o processo de aprendizagem para se sair bem no Enem.

Hoje você aprendeu mais um pouquinho sobre como retemos novas informações, por meio da curva do esquecimento.

Apesar de ter sido desenvolvida no século 19, a teoria de Ebbinghaus inspirou métodos de estudo eficazes que ajudam estudantes do Ensino Médio e do Ensino Superior até hoje, como o Sistema de Repetição Espaçada, uma técnica de aprendizagem baseada em evidências.

A principal lição do método é incluir períodos curtos de revisão na sua rotina de estudos.

Já sabe com qual matéria você vai estrear o SRE?


💡Este artigo sobre a curva do esquecimento é um resumo. Se você quiser se aprofundar mais no assunto, confira as dicas de leitura:

  • EBBINGHAUS, Hermann. Memory: A Contribution to Experimental Psychology. Nova York: Teachers College, Columbia University, 1913, 123. Pg.
  • JÚNIOR, Carlos Alberto Mourão. FARIA, Nicole Costa. Memória. Processos Psicológicos Básicos. Psicologia: Reflexão e Crítica, n. 28, v. 4. Oct-Dec 2015. https://doi.org/10.1590/1678-7153.201528416.
  • PERGHER, Giovanni Kuckartz; STEIN, Lilian Milnitsky. Compreendendo o esquecimento: teorias clássicas e seus fundamentos experimentais. Psicologia USP, n. 14, v. 1, 2003. https://doi.org/10.1590/S0103-65642003000100008.
  • SMOLEN, Paul; ZHANG, Yili; BYRNE, John H. The right time to learn: mechanisms and optimization of spaced learning. Nature Reviews Neuroscience, n. 17, v. 2, fev. 2016, p. 77–88. https://doi.org/10.1038/nrn.2015.18.

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