Entenda esse movimento das cadeias globais e as competências relevantes para atuar em negócios internacionais
Nearshoring não é um tema restrito a especialistas. Entender esse movimento ajuda a acompanhar como empresas reorganizam cadeias de suprimentos e tomam decisões em um cenário internacional marcado por riscos, custos e mudanças geopolíticas.
Nos últimos anos, disrupções nas cadeias de suprimentos e incertezas geopolíticas e econômicas levaram empresas a rever a localização de fornecedores e operações. Nesse contexto, o nearshoring ganhou espaço nas discussões sobre comércio e produção global.
Para quem se interessa por comércio exterior, gestão ou negócios internacionais, compreender esse movimento ajuda a ampliar o repertório sobre cadeias globais de valor e estratégias empresariais.
A América Latina aparece entre as regiões consideradas nesse processo. Países como Brasil, México e Chile são citados em estudos sobre a reorganização de cadeias que atendem ao mercado norte-americano.
O que é nearshoring e por que o tema ganhou espaço?
Nearshoring é uma estratégia de aproximar etapas de produção, fornecimento ou serviços dos mercados atendidos. Em vez de manter determinadas operações em localidades muito distantes, empresas podem transferi-las para países geograficamente mais próximos.
A estratégia pode buscar objetivos como reduzir prazos, aumentar a resiliência das cadeias de suprimentos, facilitar a coordenação entre operações e diminuir a exposição a determinados riscos.
Uma pesquisa da KPMG com 250 executivos dos Estados Unidos apontou que a participação das Américas nas cadeias de suprimentos que atendem ao mercado norte-americano tende a crescer. O estudo projetou que 69% dessas cadeias estariam baseadas nas Américas em 2026, ante 59% no momento da pesquisa.
Por que a América Latina está no radar do nearshoring?
A América Latina reúne características que podem ser consideradas em decisões de localização de cadeias de suprimentos. A relevância de cada fator varia conforme o país, o setor e a operação.
- Proximidade e fusos horários: para operações voltadas às Américas, distâncias menores e maior sobreposição de horários podem facilitar comunicação, acompanhamento de projetos e coordenação entre equipes e fornecedores.
- Recursos e matriz energética: diferentes países da região possuem recursos minerais e fontes de energia relevantes para cadeias produtivas. A disponibilidade, porém, varia bastante entre os países e deve ser analisada conforme o setor e a estratégia de cada empresa.
- Talentos e custos operacionais: disponibilidade de profissionais, competências técnicas, idiomas, infraestrutura e custos também entram na avaliação de empresas que consideram novas localidades para suas operações.
Nearshoring no Brasil: oportunidades e desafios em 2026
O Brasil é a maior economia da América do Sul e tinha população estimada em 213,4 milhões de habitantes em 2025, segundo o IBGE. O tamanho do mercado, a base produtiva e a disponibilidade de recursos ajudam a colocar o país entre as localidades consideradas em estudos sobre strategic shoring nas Américas.
Em 2026, o nearshoring continua fazendo parte das discussões sobre resiliência e reorganização das cadeias globais. Para o Brasil, as possibilidades convivem com desafios relacionados a infraestrutura, ambiente regulatório, custos, logística e integração comercial.
Esse cenário também amplia a importância de profissionais capazes de compreender negócios em contextos internacionais, cadeias de suprimentos, riscos e diferenças culturais. Em Gestão Internacional, esse repertório pode ser aplicado em diferentes funções e setores.
- Entre as possibilidades de atuação relacionadas a esse contexto estão:
- Consultoria em internacionalização
- Gestão de cadeias de suprimentos globais
- Sustentabilidade e critérios ESG
- Operações internacionais
- Análise de riscos geopolíticos
Competências para atuar nesse cenário
A atuação em negócios internacionais pode exigir uma combinação de conhecimentos técnicos e competências interpessoais, como:
- Visão estratégica global
- Comunicação intercultural e conhecimento de idiomas
- Análise de dados
- Conhecimento regulatório e legal
- Adaptabilidade e capacidade de lidar com diferentes contextos
- Integração entre estratégia e operação
Integração entre estratégia e operação
Uma estimativa divulgada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em 2022 indicou que oportunidades de nearshoring poderiam acrescentar até US$ 78 bilhões por ano às exportações de bens e serviços da América Latina e do Caribe no curto e médio prazo. México e Brasil apareciam com os maiores ganhos potenciais. Como se trata de uma estimativa de potencial, o valor não representa receita já realizada nem garante geração de empregos ou oportunidades profissionais.
Como se preparar para atuar em um contexto global
Compreender transformações no comércio e nas cadeias globais é uma forma de ampliar o repertório de quem pretende atuar em negócios internacionais.
Para quem está começando ou planejando uma transição de carreira, alguns caminhos de desenvolvimento são:
- Estudar fundamentos de gestão internacional, como mercados, risco e estratégia.
- Construir conhecimentos em comércio exterior e supply chain.
- Desenvolver repertório intercultural, incluindo comunicação e negociação.
- Acompanhar fontes confiáveis sobre comércio, geopolítica, empresas e políticas públicas.
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Em um cenário de mudanças nas cadeias de suprimentos e nas relações comerciais, compreender diferentes mercados, culturas e estratégias amplia as possibilidades de atuação profissional.